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“O direito de ser mulher, o direito à sexualidade, o direito à vida”: a (in)visibilidade das mulheres com deficiência

31 de Março de 2017, 3:00 , por Karla Miranda - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Foto da II Mesa de debates. Da esquerda para a direita: Deline Cutrim, Silse Lemos, Alessandra Pajama, Priscilla Selares e Mariana Viana (Foto: Karla Miranda)

“A partir do momento em que você tem uma deficiência, qualquer que seja ela, é como se você não tivesse direito a nada”, afirmou Deline Cutrim, coordenadora do Coletivo de Mulheres com Deficiência, durante a II Mesa de Debates Interdisciplinares: Feminismo e a (in)visibilidade das mulheres com deficiência, realizada pelo Grupo de Pesquisa ARP Pessoa com Deficiência no Brasil, nesta quinta-feira (30), no Auditório Maria Izabel Rodrigues (UNDB). O evento contou com o apoio do Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop).  

No auditório, cinco mulheres expuseram ao público preconceitos, histórias de vida, casos de negligência e, principalmente, o direito de ser mulher, muitas vezes impedido e invisibilizado pela deficiência.

Mediado pela servidora da Sedihpop, Mariana Viana, o debate foi iniciado com a fala da advogada Priscilla Selares (diretora executiva do SIM Social - Sistema de Inclusão de Multiprofissionais), que enfatizou a necessidade das políticas contemplarem as pessoas com deficiência e darem a devida ênfase à mulher.

“A gente não pensa só na parte arquitetônica dos hospitais, dos postos, mas principalmente dos próprios equipamentos e, acima de tudo, de um tratamento humanitário, porque muitas vezes quem atende nos hospitais não sabe lidar com as especificidades da mulher com deficiência. Nós temos sim, em razão da nossa deficiência, um diferencial. Enquanto mulher, eu sou igual à Mariana que não tem nenhum tipo de deficiência, mas pelo fato de eu ter uma deficiência visual, eu tenho algumas especificidades que precisam ser observadas”, declarou Priscilla Selares.

Já a produtora cultural Alessandra Pajama chamou atenção para a ausência de dados e de ações de monitoramento que evidenciem a relação entre a violência contra a mulher e a pessoa com deficiência. “Até hoje a gente não consegue ter um observatório sobre a mulher que é vítima de violência doméstica e que, por conta disso, ela passa a ser uma mulher com deficiência. E, por outro lado, eu tenho mulheres, meninas, jovens, que são molestadas dentro da própria casa e elas não conseguem chegar até as delegacias ou outro lugar público ou quando chegam sofrem outro tipo de violência, que é a institucional”.

A maioria das falas foi mostrando que, no caso das mulheres com deficiência, até a violência é invisibilizada. “Eu estou falando para além da violência estrutural que não dá acesso físico, além da violência dos organismos de estado que não valorizam essa presença nas suas políticas públicas. Eu estou falando da violência intrafamiliar, que é subnotificada, que não chega às delegacias. Então, essa mulher está dentro de casa e ela passa por processos de negligência, de ofensa, de agressão física, de violência sexual”, frisou a professora dra. Silse Lemos da Universidade Federal do Maranhão e membro do GERAMUS - Grupo de Pesquisa e Extensão sobre relações de gênero, relações ético-raciais, geracional, mulheres e feminismo.

Deline Cutrim ainda acrescentou que “hoje em dia, muitas meninas com deficiência intelectual são obrigadas a fazer aborto ou laqueadura à força. Isso acontece muito. Você não tem sexualidade, você não tem direito a nada”.

Durante a II Mesa de debates interdisciplinares: Feminismo e a (in)visibilidade das mulheres com deficiência, ficaram latentes os pedidos pela garantia de direitos como um todo e pelo direito primário de ser visto como pessoa e ter a sua condição de mulher reconhecida e respeitada.

“A gente precisa ver o debate e a política para a mulher com deficiência no seu aspecto mais transversal” (Priscilla Selares). “Só podemos melhorar enquanto sociedade e falar em direitos humanos, se nós olharmos inclusivamente as pessoas com deficiência, notadamente as mulheres” (Silse Lemos). A “acessibilidade nada mais é do que um direito que não está restrito à pessoa com deficiência” (Alessandra Pajama) e “essa luta é de todo mundo, se vocês não passarem à diante estarão negando direitos a muitas mulheres: o direito de ser mulher, o direito à sexualidade, o direito à vida” (Deline Cutrim).

 

Fonte: Portal

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