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(ARTIGO) O blackface e o boi da cara preta

21 de Junho de 2019, 19:10 , por Elen Mateus - 0sem comentários ainda | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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Artigo blackface sao joao 2019
 
 As festas juninas, tais como as vivenciamos hoje,  são o resultado de um encontro desencontrado, no território do Pau Brasil, entre europeus, africanos e povos originários. Desse desencontro, nasceu brincadeiras,  como o Bumba Meu Boi, que expressam do ponto de vista político, social e estético esses encontros e desencontros na formação cultural do Brasil/Maranhão, nos quais a gente se reconhece como povo. 
 
No auto do boi,  os conflitos não desaparecem, mas ganham relevo próprio, de afirmação/reivindicação de novos lugares de fala, narrativas e exposição de práticas discriminatórias e racistas que barram possibilidades dialógicas na construção da cultura e da cidadania. Por isso mesmo, a prática do blackface, pintar o rosto de ator de preto em vez de convidar ator negro pra interpretar personagens, apenas reforça prática política e cultural discriminatória que vai contra a lógica do auto do Bumba Meu Boi, no qual os personagens, como pai Francisco, representam diferentes grupos étnicos e raciais que se encontram nesse extraordinário território e, aqui, reinventam práticas e relações, marcadas pela violência da colonização, da escravidão e do patriarcado. 
 
Nos Estados Unidos, em que a prática do blackface ganhou notoriedade e causou polêmicas por estimular e produzir esteriótipos contra a população negra, caiu em declínio com o avanço dos movimentos de direitos civis dos negros norte-americanos ( https://www.geledes.org.br/significado-de-blackface/). No Brasil, ainda ecoam os efeitos da produção da novela Cabana do Pai Tomás nos anos sessenta, produzida pela Globo e patrocinada por uma empresa norte-americana, em que para interpretar o pai Tomas foi escalado e pintado um ator branco, o que expunha a forte exclusão dos atores negros da cena midiática (cf. https://www.google.com.br/amp/s/observatoriodatelevisao.bol.uol.com.br/historia-da-tv/2017/07/a-polemica-a-cabana-do-pai-tomas-estreava-ha-48-anos%3famp). 
 
Tanto a história do blackface nos Estados Unidos e no Brasil podem servir de fonte de reflexão para os que decidiram reintroduzir/introduzir esse gênero nas festas juninas de 2019, num dos estados de maior população negra do país, ao pintar o rosto de preto de um ator pra interpretar o pai Francisco, em apresentações. E, mais ainda, no estado de maior diversidade cultural nas festas juninas. Que digam Santo Antônio, São João, São Pedro e, sobretudo, São Marçal.
 
 
#SaoJoao #BumbaMeuBoi #BlackFace
 
Francisco Gonçalves da Conceição 
Secretário de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular 

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